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Esquerda ou Direita? A atualidade de velhos conceitos

30/06/2011

Um violão direito nas mãos do canhoto. Nem sei quem é o louco da imagem, mas achei genial. Afinal, qual o significado para palavra "direita" quando se é canhoto? hehe

Se  tivesse vencido, Serra teria sido um presidente de direita, como foi acusado durante a campanha presidencial? O governo Lula foi de esquerda ou centro-esquerda? Qual o significado desses termos no cenário político atual? Muitos afirmam enfaticamente que tais conceitos não conseguem mais explicar a atual complexidade de nossa sociedade. No entanto, ao mesmo tempo em que vemos a pulverização de antigas ideologias antes consideradas de esquerda como o socialismo, parecem renascer, com novo rosto mas mesma alma, ideias tão discriminatórias que cheiram ao nazi-fascismo dos anos 30 e 40.

Com a difusão da internet, dos blogs, vlogs e twítteres, vivemos também um boom de pessoas que podem expressar livremente sua opinião. A grande imprensa, outrora controladora dos meios de comunicação, cede espaço a zé-ninguéns que, do conforto de seus lares, têm o poder de questionar, contra-argumentar ou simplesmente não aceitar a opinião de “grandes” jornalistas. “Blogs sujos”, expressão cunhada pelo ex-presidenciável José Serra, reflete bem esse comportamento. Período em que a revista Veja, de modo vexatório, atacava a campanha de Dilma Roussef, tais blogs buscaram a verdade factual, mostrar, sem deturpações, o que realmente havia acontecido. Quem não se lembra da bolinha de papel? (Vide post anterior). A atual presidenta, que não enfrenta, ou não consegue enfrentar a grande mídia, busca difundir a banda larga no Brasil, na esperança de que a “liberdade de expressão” seja agora realmente um direito de todos, e claro, também romper com uma época de atraso dos meios de comunicação.

Como todo ambiente próspero e progressita, a atualidade vive também suas contradições. A deturpação surge do fato de que todos podem aparecer e ter seguidores: nazistas, homofóbicos, machistas, elitistas e tantos outros “istas” ganham força. Sob o égide do anonimato (e também da impunidade!) podemos interneticamente expressar nossos preconceitos. Recentemente assisti a um vlog, que não merece divulgação, em que a própria homofobia teria vergonha das burrices ali pronunciadas. Bolsonaro comenta sexualidade na televisão, e eis que quase que automaticamente surgem manifestações contrárias mas também favoráveis na internet. Há quem comente que  seja necessário construir campos de concentração para nordestinos em São Paulo. Os males da terra da garoa adviriam da secura de migrantes nordestinos. Não seriam essas idéias xenófobas?

Não consigo pensar em exemplo maior de xenofobia que o massacre de judeus na Polônia durante a Segunda Guerra. Acusados de usurparem a região da Cracóvia, tais judeus deveriam ser varridos do mapa, purificando-se assim aquela região. Vivemos  um retorno monumental dessas ideias antes temerosas. Há quem diga que nunca saíram de cena… Não sei. Viu-se, durante as eleições, o medo e o horror à pobre. Nordestinos, “todos” pobres “de dinheiro e espírito”, por consequência mal-educados, não polidos, grosseiros, bárbaros, fedidos, etc deveriam ser mortos afogados. É culpa dessa gente que Serra não venceu. Ainda vivemos numa época em que os estereótipos tornam-se a regra, e a regra gera o preconceito. Lamentável.

Como afirmar que os termos direita e esquerda morreram? Sobre a velha esquerda, não ouso afirmar nada. Lula, outrora de discurso socialista, alia-se a Collor e Sarney. Antes disso, visando o poder e mais tempo no horário político, coligara-se com o Partido Liberal. Mas, a direita continua forte, sim, aquela velha direita excludente, assassina, nazi-fascista, está aí, saltando dos twítteres para a mente de nossos jovens e vice-versa. Queria ter o orgulho e a convicção de que o nazismo desaparecera, sumira do mapa com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra. A antiga direita, antes representada por partidos políticos na Europa, não precisa mais de representação – basta criar uma conta no twitter e acompanhar alguns teimosos que insistem em ressucitar uma ideia já vencida, dando-lhe novas vestimentas,  e cirurgias plásticas, mas continuando com os mesmos ares excludentes e discriminatórios do passado. A direita continua forte, não como uma agremiação políticas, mas agora difundida pelos meios de comunicação dos quais quais a participação maciça é de jovens. A batalha que antes ocorrera contra grandes partidos, contra o monopólio dos meios de comunicação, agora atinge outro nível, tornando-se quase pessoal. Estamos perdendo essa guerra, o Brasil e o mundo caminhando novamente para uma radicalização, polarização de ideias: a direita e aqueles que não são de direita. Comofas? para reverter essa situação?

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