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A história dirá que vencemos!

12/10/2011

Eu tenho um sonho.

Um sonho em que meus alunos vão um dia viver em um mundo onde não serão julgados pela cor da pele, sexo, orientação sexual, ou classe social, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho esse sonho hoje e batalho incessantemente para torná-lo realidade.

Nesse mundo, as pessoas não acreditarão que leis mudarão a sociedade, pois não haverá nada para se mudar. Não será necessária uma lei de cotas para igualar brancos e negros, pois não os veremos mais como diferentes. Não será necessário estabelecer que 25% dos candidatos de um partido sejam mulheres, pois ficará provado que política não tem relação com sexo, mas sim com honestidade e comprometimento com o povo.  Não será necessária uma PL 122, pois todos saberemos que gays e heteros são apenas palavras para enquadrar, limitar e controlar sexualidade humana, que é indomável.

Cem anos atrás, qualquer mulher de quase todo o mundo, tinha que viver às sombras de uma figura masculina: o pai ou o marido. Eis que surge o movimento sufragista , que defendia abertamente o voto feminino, e vemos acender o grande farol de esperança para milhões de escravas do-lar que estavam murchas nas chamas da injustiça.

Cem anos depois, a vida da mulher não é mais tão tolhida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o espaço doméstico não é mais suficiente para a grandeza feminina, e um vasto percurso há de ser brilhantemente traçado em busca de igualdade de condições mas também respeito à diferença. Cem anos depois, a mulher não mais adoece nas cozinhas de suas casas e se encontram libertas para conquistar seu próprio espaço.

Assim, a exemplo das conquistas femininas e feministas, todos que ainda estão vivos  e desejam um mundo melhor deveriam se levantar e lutar contra todas as outras formas de preconceito que ainda  insistem em cercear a nossa liberdade e felicidade. Elas conseguiram, fizeram uma revolução, talvez a única vitoriosa do século XX, e mudaram o mundo. Todos conseguiremos.

Essas “batalhas” diárias não são fáceis, admito. Outro dia mesmo, discutindo a PEC 23/2007 com um amigo querido, os ânimos acabaram se exaltando e palavras lancinantes foram proferidas. Perdi a discussão, não consegui retirar-lhe o preconceito, que não fora acumulado apenas em sua tenra idade, vinte e poucos anos, mas por séculos de história que agora iremos enfrentar e vencer. Perdi o amigo que agora não que mais falar comigo. Perdi uma batalha. Estou profundamente triste!

Mas todos iremos vencer essa guerra. Não lutemos por nós mesmos – vamos derramar muito  suor e lágrimas num conflito que eximirá nossos corpos, almas e corações. Talvez não vejamos os resultados enquanto ainda estivermos vivos. Lutemos por nossos filhos, pelos filhos dos outros, netos, bisnetos que verão na liberdade uma possibilidade de viver plenamente, uma forma de alcançar a felicidade. O processo revolucionário está em marcha acelerada, mas ainda há muitos bastiões de intolerância que não serão facilmente transpostos nem derrubados. Sonho com um mundo que não precisemos lutar pelos direitos dos negros, das mulheres, dos gays, das minorias, pois o que prevalecerá serão os direitos humanos.

Um mundo melhor é possível!

Marcelo Cunita

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